Lesões cerebrais primárias e secundárias, por Fernanda Barboza

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O PHTLS nos mostra que o TCE pode ser dividido em duas categorias: lesões cerebrais primárias e secundárias.

As lesões cerebrais primárias são as lesões diretas no cérebro e estruturas vasculares que ocorrem na hora do trauma. São lesões primárias as hemorragias, contusões, lacerações. É importante você saber que as estruturas nervosas não se regeneram, e, por conta disso, as lesões estruturais podem levar a perdas de função permanente no local atingido.

As lesões cerebrais secundárias ocorrem devido às lesões iniciais (primárias). O PHTLS recomenda que o nosso foco, no atendimento pré-hospitalar, seja evitar as lesões secundárias, como o edema cerebral, aumento da pressão intracraniana e as herniações. O edema cerebral ocorre próximo à lesão primária, resultado do processo inflamatório que lesiona neurônios e os capilares, resultando em isquemia (falta de oxigênio), o que agrava o edema e a lesão.

As causas das lesões cerebrais podem ser listadas em 2 grupos: intracraniana e extracraniana.

As intracranianas são as lesões que ocorrem por herniação (saída do tecido cerebral pelos forames), isquemia por herniação tecidual, edema cerebral, hematomas intracerebrais e hipertensão intracraniana.

As causas extracranianas (fora do crânio) são causas de lesões secundárias: hipotensão, hipóxia, anemia, hipoglicemia, hiperglicemia e as convulsões. Vamos esquematizar para entender melhor?

As causas das lesões cerebrais podem ser listadas em dois grupos:

Vamos explicar alguns desses termos?

A hipotensão que ocorre no TCE é a redução da pressão arterial e deve ser evitada no nosso atendimento. Dessa forma, no atendimento à vítima com TCE, devemos manter a PA sistólica > 90mmHg.

Como fazer isso? Como manter a PAS > 90mmHg? Para aumentar a pressão do paciente, são necessárias soluções endovenosas e medicações que são instaladas assim que o suporte avançado chega ao atendimento. A hipóxia (falta de oxigenação adequada no tecido cerebral por culpa do sistema cardiovascular) é outra causa de lesão cerebral no TCE. Vamos entender como isso ocorre?

O cérebro precisa de sangue para funcionar, mas não é de qualquer sangue, ele precisa estar com oxigênio e glicose. Vale lembrar que, para que o sangue chegue oxigenado ao cérebro, o pulmão e o coração precisam trabalhar juntos, o que, muitas vezes, não ocorre no trauma grave.

Outra causa extracraniana é a anemia, que é a diminuição das hemácias ou da hemoglobina (substância que forma as hemácias e carrega oxigênio pelo nosso corpo). A anemia vai prejudicar o TCE, porque, quando o sangue chega ao cérebro, ele não possui hemoglobina suficiente para conduzir o oxigênio, gerando a isquemia. Outro fator que prejudica o futuro da vítima com trauma é a desregulação da glicemia. Tanto a hipoglicemia (falta de glicose) quanto hiperglicemia (aumento da glicose no sangue) prejudicam o tecido cerebral. A falta de glicose prejudica o metabolismo celular, e a hiperglicemia exagerada pode gerar o coma, por isso deve ser evitada.

As convulsões são alterações da atividade elétrica cerebral. Elas podem ocorrer como consequência do trauma e prejudicam ainda mais o tecido cerebral, por aumentarem a demanda por oxigênio e glicose nesse tecido já sofrido, agravando mais a isquemia.

Observe que o trauma é uma situação grave e pode piorar o quadro se esses fatores (pressão, glicemia, oxigenação) não forem controlados. O atendimento para esse paciente consiste em fazer a nossa avaliação primária, de forma objetiva, em busca de sinais de risco imediato e encaminhá-lo ao hospital. Durante o transporte, deve ser feita a avaliação secundária.

Chegamos ao fim de mais um artigo que vai ajudar na sua próxima prova! Já estão se preparando?! Vamos lá! Rumo ao sucesso!

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Fernanda Barboza é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Saúde Pública e Vigilância Sanitária. Atualmente, servidora do Tribunal Superior do Trabalho, cargo: Analista Judiciário- especialidade Enfermagem, Professora e Coach em concursos. Trabalhou 8 anos como enfermeira do Hospital Sarah. Nomeada nos seguintes concursos: 1º lugar para o Ministério da Justiça, 2º lugar no Hemocentro – DF, 1º lugar para fiscal sanitário da prefeitura de Salvador, 2º lugar no Superior Tribunal Militar (nomeada pelo TST). Além desses, foi nomeada duas vezes como enfermeira do Estado da Bahia e na SES-DF. Na área administrativa foi nomeada no CNJ, MPU, TRF 1ª região e INSS (2º lugar), dentre outras aprovações.

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