Causas das feridas e classificação das feridas. Por: Fernanda Barboza

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Olá pessoal, vamos estudar um pouco sobre feridas? Aproveitem as nossas dicas e sigam firmes nos estudos.

De acordo com o Manual de tratamento de feridas da Prefeitura de Natal, encontramos estas causas para as feridas:

Além dessas causas, sabemos que existe a causa secundária à pressão exercida sob uma superfície sobre as proeminências ósseas, que são as lesões por pressão.

Encontramos diversas classificações de feridas na literatura, a Resolução n. 501 de 2015 abordou algumas classificações, a ANVISA outras e eu organizei em resumos pelos tipos de classificação de forma mais objetiva.

Vamos detalhar as feridas fechadas e abertas:

  1. Fechadas

Contusão: a pele e/ou mucosa são lesionadas, mas permanecem íntegras. Podem ser profundas e alcançar tecido conectivo, muscular, tendíneo e ósseo. Geralmente resultantes de esmagamento.

  1. Abertas

Incisa: de continuidade linear, bordas regulares e profundidade variável. Produzida por objetos cortantes (faca, bisturi). São mais propensas a hemorragias, pois a ausência de irregularidades dificulta a agregação plaquetária.

Lacerada: produzida por objetos pontiagudos que cortam o tecido formando bordas irregulares, pouco sangrenta. Aquelas ocorridas há menos de 3 horas podem ser suturadas plano a plano, após reavivamento e regularização das bordas (incisas). Quando ocorridas há mais de 4 horas, fecha-se parcialmente e utiliza-se drenos.

Avulsionada: produzida por despregamento do tecido subcutâneo, resultando no arranchamento da pele. Pouco sangrentas, de grande espaço morto.

Punctória: produzida por elementos perfurantes (cravos, pregos, estiletes e espetos). Não atingem cavidades/órgãos.

Penetrante: solução de continuidade da pele e tecidos subjacentes alcançando cavidades (abdome, tórax, seios faciais etc.). Geralmente, resultam em perfuração de vísceras, empiema ou evisceração.

Ferida Ulcerativa – Resolução COFEN N. 501/2015

Feridas escavadas, circunscritas na pele (formadas por necrose, sequestração do tecido), resultantes de traumatismo ou doenças relacionadas com o impedimento do suprimento sanguíneo.

As úlceras de pele representam uma categoria de feridas que incluem úlceras por pressão, de estase venosa, arteriais e diabéticas.

Vamos praticar?

  1. (AOCP/2014) Paciente, 21 anos, deu entrada há 2 dias no Pronto-Atendimento por múltiplos ferimentos por arma branca, sendo encaminhada em seguida para o centro cirúrgico, a fim de realização de laparotomia abdominal exploradora e realização do procedimento de Hartman. Hoje, encontra-se com cateter venoso central duplo lúmen em jugular direita, incisão cirúrgica mediana com pequena quantidade de secreção sanguinolenta em pontos distais, dreno de penrose em flanco direito com drenagem de secreção fecaloide e colostomia. Qual é a sequência correta para a realização dos curativos?

a) Dreno de penrose, incisão cirúrgica, cateter venoso central.

b) Dreno de penrose, cateter venoso central, incisão cirúrgica.

c) Cateter venoso central, dreno de penrose, incisão cirúrgica.

d) Incisão cirúrgica, cateter venoso central, dreno de penrose.

e) Cateter venoso central, incisão cirúrgica, dreno de penrose.

Resposta: Letra e.

Observe que é importante saber classificar as feridas para determinar qual curativo devemos fazer primeiro, pois é necessário começar o trabalho pelo local mais limpo e depois ir para as feridas contaminadas.

  1. (FCM/IF-RJ/2017) A respeito dos tipos de feridas, de acordo com a Resolução COFEN n. 501, de 9 de dezembro de 2015, analise as afirmativas a seguir:

I – A ferida crônica não apresenta a fase de regeneração no tempo esperado, havendo um retardo na cicatrização.

II – A ferida limpa é aquela produzida, voluntariamente, em local de assepsia ideal.

III – A ferida infectada é escavada e circunscrita na pele.

IV – A ferida contaminada ocorre após trauma com proliferação de micro-organismos.

Estão corretas apenas as afirmativas

a) I e II.

b) I e IV.

c) II e III.

d) III e IV.

e) II e IV.

Resposta: Letra a.

III – Errado. Este é o conceito de ferida ulcerada.

IV – Errado. Este é o conceito de ferida infectada.

Confira os conceitos pela Resolução n. 501/2015:

Feridas ulcerativas: feridas escavadas, circunscritas na pele (formadas por necrose, sequestração do tecido), resultantes de traumatismo ou doenças relacionadas com o impedimento do suprimento sanguíneo. As úlceras de pele representam uma categoria de feridas que incluem úlceras por pressão, de estase venosa, arteriais e diabéticas.

Ferida infectada – são aquelas em que houve a proliferação de microrganismos, levando a um processo infeccioso, de início localizado, mas que pode sob determinadas condições, estender-se aos tecidos vizinhos, formar novos focos a distância ou generalizar-se por todo o organismo.

  1. (IBFC/EBSERH/2016) Uma lesão de surgimento previsível, de origem não traumática, que apresenta um tempo maior para cicatrização, com maior risco para infecção e complicações, recebe a denominação de ____________, segundo a classificação de feridas. Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.

a) Superficial

b) Aguda

c) Profunda

d) Crônica

e) Potencialmente contaminada

Resposta: Letra d. Esse é justamente o conceito de ferida crônica pela Resolução n. 501/2015 – que tem um tempo de cicatrização maior que o esperado devido a sua etiologia. São feridas que não apresentam a fase de regeneração no tempo esperado, havendo um retardo na cicatrização.

Por hoje é isso pessoal. Priorizem os estudos rumo ao sucesso! Até a próxima.

 

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Fernanda Barboza é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Saúde Pública e Vigilância Sanitária. Atualmente, servidora do Tribunal Superior do Trabalho, cargo: Analista Judiciário- especialidade Enfermagem, Professora e Coach em concursos. Trabalhou 8 anos como enfermeira do Hospital Sarah. Nomeada nos seguintes concursos: 1º lugar para o Ministério da Justiça, 2º lugar no Hemocentro – DF, 1º lugar para fiscal sanitário da prefeitura de Salvador, 2º lugar no Superior Tribunal Militar (nomeada pelo TST). Além desses, foi nomeada duas vezes como enfermeira do Estado da Bahia e na SES-DF. Na área administrativa foi nomeada no CNJ, MPU, TRF 1ª região e INSS (2º lugar), dentre outras aprovações.

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