Atendimento das Medidas Gerais da Intoxicação: SAMU 2016

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Olá, pessoal, vamos analisar o atendimento das vítimas de intoxicação com o protocolo do SAMU 2016, com base no atendimento de suporte avançado. Bons estudos!

Primeiro, você precisa saber quando utilizar esse protocolo.

  1. Todo paciente que apresente um quadro inexplicado, de início súbito, que curse com alteração do nível de consciência, convulsões, alteração hemodinâmica ou respiratória, sem causa claramente definida.
  2. Quando existir uma história inicial de certeza ou suspeita de contato, por qualquer via, com um agente potencialmente intoxicante. Vamos às condutas? No quadro a seguir, estarão de azul escuro os passos do SAMU e de azul claro minhas observações:

Condutas

  1. Assegurar o uso dos equipamentos de proteção individual adequados.

O uso de EPI é fundamental para evitar a intoxicação do socorrista, principalmente com relação aos produtos químicos e inalação de gazes.

  1. Garantir a segurança da cena e do método ACENA.

O método ACENA é descrito no SAMU como uma avaliação de segurança para o socorrista a qual envolve a análise dos arredores, se a vítima está portando armas, a expectativa de vítima quanto ao atendimento, avaliação do nível de consciência, se há conflito e crise naquele ambiente e observação dos sinais de abuso de drogas e álcool, dentre outros aspectos.

  1. Realizar avaliação primária:

Impressão inicial, com ênfase para:

  • Nível de consciência: alerta, irritável ou não responde;
  • Respiração: esforço respiratório, sons anormais ou ausência de movimentos respiratórios;
  • Coloração anormal da pele;
  • Avaliar responsividade;
  • Assegurar permeabilidade das vias aéreas: aspirar secreções se necessário e instalar via aérea avançada, se indicado.
  • Avaliar ventilação: especial atenção para a presença de taqui ou bradipneia, respiração irregular, ausculta (sibilância, aumento de secreções brônquicas);
  • Avaliar oximetria de pulso;
  • Administrar oxigênio (O2) por máscara não reinalante se saturação de O2 < 94%, ou ventilação assistida, se indicado;
  • Avaliar estado circulatório: atenção especial para frequência e ritmo cardíacos; pressão arterial; coloração, temperatura e estado de hidratação da pele; ressecamento de mucosas ou salivação excessiva; presença de sudorese; tempo de enchimento capilar;
  • Instalar acesso venoso de grosso calibre;
  • Avaliar estado neurológico, com ênfase para avaliação pupilar (especialmente tamanho pupilar) e movimentos oculares, tônus muscular, agitação psicomotora e nível de consciência, além de ocorrência de convulsões;

Observe que várias síndromes tóxicas modificam o tamanho da pupila, e o socorrista deve, então, atentar para essa análise.

O uso do oxigênio fica restrito à presença de redução da saturação de O2.

  • Não havendo evidência de trauma, manter o paciente em posição de recuperação, devido ao risco de aspiração de secreções.

A posição de recuperação consiste na posição lateral.

Realizar entrevista SAMPLA (ou SAMPLE) e identificar possíveis causas.

A história é fundamental e deve também investigar:

A entrevista SAMPLA representa a análise dos sinais e sintomas, se a vítima tem alergia, usa medicamentos e seu passado médico, ou seja, doenças e comorbidades, além de análise do ambiente (A) ou evento (E).

  • Disponibilidade de substâncias potencialmente tóxicas no domicílio (produtos de limpeza, inseticidas, raticidas, plantas etc.) e de medicamentos, usados pelo paciente ou por familiares;
  • Locais onde o paciente esteve presente e atividades que desenvolveu nas horas que precederam o início dos sintomas, incluindo a profissão ou atividade exercida;
  • Se o agente tóxico for conhecido, investigar a quantidade ingerida, o tempo decorrido da ingestão, se essa foi acidental ou intencional e se pode haver outra substância envolvida;
  • Horário de início dos sintomas.
  • Hálito e exame da cavidade oral: lesões corrosivas, odor, hidratação;
  • Temperatura corpórea: se hipertermia, utilizar medidas físicas para redução da temperatura (antitérmicos usuais não são eficazes);

Lesões corrosivas na cavidade oral indicam ingestão de produtos corrosivos.

  • Presença de sinais de maus-tratos, em especial na criança e no bebê;
  • Avaliar glicemia capilar e corrigir eventual hipoglicemia;

Pacientes vítimas de intoxicação tendem a apresentar hipoglicemia, principalmente se há associação com tremores musculares que aumentam o gasto energético.

  • Monitorizar pressão arterial, frequência e ritmo cardíacos, oximetria de pulso e glicemia capilar;
  • Investigar possíveis situações de risco, no domicílio, para o paciente e para a criança em especial.

Reconhecer a síndrome tóxica e procurar identificar o agente causal.

Detectar o agente causal é fundamental para avaliar a possibilidade de atendimento específico, principalmente a possibilidade de administração de antagonistas.

  1. Seguir com o protocolo específico assim que o agente intoxicante for identificado.
  2. Realizar a descontaminação, se indicada, segundo a via de contaminação (respiratória, cutânea, digestiva e ocular), conforme protocolo de descontaminação.
  3. Administrar antídotos ou drogas específicas, se indicadas e disponíveis, seguindo os protocolos específicos para cada agente intoxicante.
Fonte: SAMU 2016.
Fonte: SAMU 2016.

Observe que alguns agentes tóxicos possuem antídoto e, assim que possível, esse deve ser administrado para atuar na causa do problema.

  1. Atentar para as situações especiais que podem ocorrer:
  • Crises convulsivas;
  • Depressão do centro respiratório;
  • Taquicardia com repercussão hemodinâmica;
  • Bradicardia com alteração hemodinâmica;
  • Hipo e hipertermia;
  • Parada cardiorrespiratória.

Aqui, o SAMU relatou as possíveis complicações decorrentes das intoxicações, que devem ser investigadas durante todo o atendimento.

  1. Realizar contato com a Regulação Médica ou o serviço Disque Intoxicação (número: 0800.722.6001) para a tomada de decisão e para definição do encaminhamento e/ou unidade de saúde de destino (preferencialmente hospital terciário).

Atente-se para algumas observações do SAMU:

  • Independentemente do agente causador da intoxicação, as medidas gerais de estabilização são muito semelhantes àquelas realizadas em qualquer outra emergência clínica.
  • Sempre que possível, levar amostras do agente tóxico ao hospital, inclusive proveniente de resíduo gástrico (vômito).
  • Carvão ativado é ineficaz para adsorção de ferro, álcool e lítio, além de ter pouca efetividade para organoclorados e digoxina.

O carvão ativado é um tipo de produto que não é absorvido pelo nosso organismo e que consegue inativar algumas substâncias tóxicas, devendo ser ingerido por via oral, quando a vítima está consciente ou ser administrado pela lavagem gástrica.

Causas de intoxicação nos adultos:

  • Tentativas de suicídio por via oral constituem a principal causa;
  • Frequente é a intoxicação por abuso de drogas ou medicamentos sem intenção de suicídio;
  • Atenção ao uso de múltiplas medicações por idosos e por pacientes que apresentam metabolização diminuída, como na insuficiência renal;
  • Atenção também para as intoxicações relacionadas ao tipo de trabalho, como na exposição a agrotóxicos e pesticidas em geral.

Causas de intoxicação nas crianças:

  • Em geral, são acidentais ou não intencionais;
  • Em crianças até os 4 anos de idade, são mais frequentes as intoxicações por produtos químicos de uso doméstico (como os de higiene pessoal ou de limpeza), por medicamentos ou plantas tóxicas, ou ainda por pesticidas de uso doméstico;
  • Nos adolescentes de 15 a 19 anos, as intoxicações por drogas de abuso são as mais observadas.

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Fernanda Barboza é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Saúde Pública e Vigilância Sanitária. Atualmente, servidora do Tribunal Superior do Trabalho, cargo: Analista Judiciário- especialidade Enfermagem, Professora e Coach em concursos. Trabalhou 8 anos como enfermeira do Hospital Sarah. Nomeada nos seguintes concursos: 1º lugar para o Ministério da Justiça, 2º lugar no Hemocentro – DF, 1º lugar para fiscal sanitário da prefeitura de Salvador, 2º lugar no Superior Tribunal Militar (nomeada pelo TST). Além desses, foi nomeada duas vezes como enfermeira do Estado da Bahia e na SES-DF. Na área administrativa foi nomeada no CNJ, MPU, TRF 1ª região e INSS (2º lugar), dentre outras aprovações.

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